terça-feira, 20 de maio de 2014

TRADIÇÕES DE MATRIZ AFRICANA – UMA QUESTÃO HISTÓRICO-TEOLÓGICA



“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não
o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo
que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos
transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente”.
Tierno Bokar



Não é novidade a sentença do excelentíssimo juiz federal Eugênio Rosa de Araújo. A criminalização de nossas práticas existe desde a colonização do Brasil. Se durante os períodos convencionalmente chamados pela historiografia de Brasil Colônia e Brasil Império a nossa tradição era perseguida como satanismo, durante a República o motivo mudou mas a perseguição persistiu, agora como charlatanismo e curandeirismo. Apesar da Constituição de 1988, quando retorna a democracia e as tradições de matriz africana são reconhecidas e ganham espaço, surge um recrudescimento das intolerâncias que, na última década, resultaram em dezenas de Leis propostas por legisladores evangélicos nos legislativos de todo o país, nas esferas municipais, estaduais e federal, com o intuito de coibir as práticas da tradição de matriz africana.

A sentença do juiz Araújo no último dia 25 de abril é mais uma faceta dessa sequência de acontecimentos. Segundo ele a umbanda e o candomblé não podem ser entendidos como religião porque lhes faltam características típicas de uma manifestação religiosa como um texto-base, uma hierarquia e a crença num deus.

Pois bem, vamos comparar a afirmação do excelentíssimo juiz com a nossa realidade a luz de nossa Teologia. Toda religião possui um texto sagrado que a orienta. O problema para a cultura ocidental é o pressuposto de que todo texto é escrito, o que diverge de nossa tradição que é oral, ou seja, é guardado na memória e verbalizado sempre que necessário, pois é a verbalização que o caracteriza como sagrado. O ar que sai de nossa boca foi presente de Olódùmarè e como tal, sempre que pronunciamos algo este é entendido como emanação do sagrado. Para Amadou Hampâté Bâ, etnólogo malinês, a tradição oral é, ao mesmo tempo, “religião, conhecimento, ciência natural, iniciação à arte, história, divertimento e recreação, uma vez que todo pormenor sempre nos permite remontar à Unidade primordial”, pois a palavra falada possui um “caráter sagrado vinculado à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas”. Por isso é inconcebível a mentira em nossa tradição. Isto tem que ser bem entendido, pois, devido ao epistemicídio1 orquestrado pela sociedade ocidental, até nosso próprio povo ignora, ainda que o use cotidianamente, que possuímos um texto sagrado. “Não temos uma bíblia”, dizem. Temos sim. Temos chamado de Onìmọ̀ Mẹ́fà, ou as seis sabedorias: Ifá (Histórias Sagradas), Oriki (louvações), Adúrà (rezas), Orin (cânticos sagrados), Òwe (provérbios) e Orò (ritos). São os nossos orientadores teológicos, filosóficos e litúrgicos.

É através deste estudo afroteológico que temos compreendido a natureza dos Òrìṣà. Ao contrário do que se diz os Òrìṣà não são deuses, nem espíritos superiores ou ancestrais divinizados. São divindades, criações de Olódùmarè. Estão no mundo para desenvolver tarefas específicas na manutenção de toda a vida na Terra e no auxílio aos seres humanos ao conduzir suas vidas para um bom caminho. Olódùmarè, por outro lado, é um Ser Supremo. É verdadeiramente Deus e é único. Então entendemos que teologicamente somos monoteístas, afinal temos um único Deus.

Por fim temos a questão da hierarquia. Bem, não entendemos porque o excelentíssimo juiz afirmou que não há hierarquia nas tradições de matriz africana, afinal todos já ouviram falar em pais e mães de santo e filhos de santo. Como esta é uma tradição civilizatória, a hierarquia se apresenta como numa grande família onde o líder máximo é o Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà, ou seja, o pai e a mãe, tendo seus iniciados como filhos espirituais. O que talvez o juiz não saiba é que ainda entre os Ọmọ̀rìṣà (filhos/as de santo) também há uma hierarquia que depende do tempo de iniciação. O mais velho do mais alto grau iniciático é superior na hierarquia.  Temos que propagar estas ideias para desarmarmos pessoas como este juiz que obviamente não entende nossa tradição.

No início deste ano realizamos uma manifestação pública, a VI Marcha Estadual Pela Vida e Liberdade Religiosa cuja pauta era a criação de uma Delegacia de Combate ao Racismo e às Intolerâncias Correlatas. No manifesto já aludíamos a necessidade de uma melhor adequação às demandas do povo de terreiro, dos aparatos jurídicos. Além de exigirmos a criação da Delegacia, também reivindicamos educação e formação das polícias militar e civil para que se apropriem conceitualmente do que são as tradições de matriz africana; capacitação de delegados, juízes e advogados para atuarem com propriedade nas questões que envolvem as tradições de matriz africana e afro-brasileiras. O judiciário tem o dever de promover o respeito mútuo para que haja uma sociedade mais digna e democrática tanto ética quanto moralmente; e para que haja a reparação histórica dos danos causados pelo próprio Estado às tradições de matriz africana e afro-brasileiras. Desconstruindo esse paradigma do mal fundado em ideologias excludentes, racistas e xenófobas.

Entendemos que a denotação laica do Estado jamais deve ser questionada, entrementes, é crucial que se entenda, também, que as ações públicas e civis contra as tradições de matriz africana são atos político-sociais e que é dever do Estado Democrático de Direito “assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”. (CF, 1988)

O juiz federal Eugênio Rosa de Araújo ao negar o status de religião às tradições de matriz africana e afro-brasileiras, rasgou todos os códigos democráticos internacionais assinados pelo país. Rasgou o Estatuto da Igualdade Racial. Rasgou a própria Constituição Federal.


Púpọ̀ Àṣẹ Gbogbo!




Hendrix Silveira
Coord. Geral do  Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ayé – Associação Afro-Brasileira de Estudos Teológicos e Filosóficos das Culturas Negras
Bàbálórìṣà do Ilé Àṣẹ Òrìṣà Wúre
Mestrando em Teologia e História (EST)
Especialista em Ciências da Religião (UCAM)
Licenciado em História (FAPA)
Bolsista CAPES



Jayro Pereira de Jesus
Presidente da ATRAI – Associação Nacional de Teólogos e Teólogas da Religião de Matriz Africana e Indígena
Ọmọ̀rìṣà de Òṣàgiyán
Bacharel em Teologia (PUC/PR)
Licenciado em Ciências da Religião (PUC/PR)
Assessor da Coordenação de Saúde da População Negra – Secretaria de Estado da Saúde do RS


Luís Eduardo Rodrigues
Diretor da ESTAF – Escola de Filosofia e Teologia Afrocentrada
Ọmọ̀rìṣà de Ògún
Licenciado em Filosofia (UFRGS)
Professor da Rede Estadual de Educação







Referências


BÂ, Amadou Hampâté. A Tradição Viva. In: KI-ZERBO, Joseph (Org.). História Geral da África, I: Metodologia e Pré-História da África. Brasília: UNESCO, 2010, p. 169.
JESUS, Jayro Pereira de. Manifesto do Ẹgbẹ́/RS pelo respeito às religiões de matriz africana. Disponível em . Acesso em 08/01/2013.
______; et al. Reivindicações das Religiões de Matriz Africana ao Governo do Estado do RS. Disponível em <http://www.babadybadeyemonja.com/2011/11/repressentantes-das-religioes-de-matriz.html>. Acesso em 08/01/2014.
ORO, Ari Pedro. Considerações sobre a liberdade religiosa no Brasil. In: Ciências & Letras. Porto Alegre, n.37, p. 433-448, jan./jun. 2005.
______; BEM, Daniel F. de. A discriminação contra as religiões afro-brasileiras: ontem e hoje. In: Ciências & Letras. Porto Alegre, n.44, p. 301-318, jul./dez 2008.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Toward a new common sense: law, science and politics in the paradigmatic transition. New York: Routledge, 1995.
SILVEIRA, Hendrix. “Óia os aribano!”: causas e consequências das perseguições às religiões afro-brasileiras durante a Ditadura Militar em Porto Alegre (1964-1985). No prelo.
______. Afroteologia: elementos epistemológicos para se pensar numa teologia das religiões de matriz africana. In: Deus na sociedade plural: fé, símbolos, narrativas: anais do congresso da SOTER / Sociedade de Teologia e Ciências da Religião. Belo Horizonte: PUC Minas, 2013. p. 1133-1143.


1 Boaventura de Sousa Santos designa por epistemicídio, o processo de destruição criativa promovido pela ciência moderna em defesa do seu privilegiado estatuto.

sábado, 20 de julho de 2013

I Simpósio Regional Sul da Associação Brasileira de História das Religiões



Apresentação

Uma das matrizes do processo de universalização das religiões monoteístas euro-asiáticas foi a constituição progressiva e complexa de uma concepção linear de tempo. O triunfo na fé monoteísta é o triunfo de uma fé sem espaço, o que acaba por ensinar outras concepções religiosas a convergir ao mesmo projeto. Entretanto, paradoxalmente, permaneceram, ao longo da história, as referências tensas a espaços especificamente considerados sagrados. O paradoxo dá conta de que não há tempo sem espaço. Entretanto, o discurso historicizante da fé monoteísta – inclusive apropriado por outras formas religiosas – avança mediante a homogeneização dos espaços e das temporalidades num processo similar ao discurso profanizante do secularismo: não há espaços nem tempos qualitativamente distintos. Porém, espaços densos, sobreviventes desta assepsia discursiva, estão estruturando discursos dissidentes. Novos conceitos procuram dar conta desta situação. Fala-se de contexto, região, margem, diáspora, exílio, lugar, adjacência, praça (cena) pública, fronteira, fluxo, etc. São experimentos teóricos que buscam captar a vitalidade da religião e da economia em seus multifacetados intercâmbios em tempos de recuo do historicismo moderno.

Simpósio Temático

Tradição de Matriz Africana e Fronteiras
Coordenação:
Profª Doutoranda Lilian Conceição da Silva Pessoa de Lira (EST),
Prof. Doutorando Marcos Rodrigues da Silva (PUC-SP),
Profª Drª Vera Regina Rodrigues da Silva (UNILAB-CE),
Prof. Dr. Luis Tomás Domingos (UNILAB-CE),

O ST Tradição de Matriz Africana e Fronteiras é um espaço de debate transdisciplinar no campo das Ciências Humanas, especialmente da Teologia e das Ciências da Religião, que se dedica à análise teórica da cosmovisão da tradição de matriz africana, a partir de sua territorialidade, valores civilizatórios e afrocentricidade, no contexto dos diálogos fronteiriços estabelecidos tanto internamente (entre as tradições africanas) como externamente (com outras matrizes religiosas).

Prazos e datas?

10 de agosto de 2013: Data-limite para envio de resumo, por e-mail.
20 de agosto de 2013: Divulgação do Aceite dos Resumos.
06 de setembro de 2013: Data-limite para pagamento inscrição apresentadores/as.
13 de setembro de 2013: Data-limite para envio de texto completo.
10 de outubro de 2013: Data-limite para inscrição para ouvinte.
11 de outubro de 2013: Data-limite para pagamento para inscrição ouvinte.
17 a 19 de outubro de 2013: Realização do Simpósio.
19 de outubro de 2013: Publicação dos anais eletrônicos do Simpósio.

Investimento

Participação como ouvinte: R$ 40,00
Participação com apresentação de trabalho conforme as seguintes categorias:
Estudantes de Graduação: R$ 60,00
Estudante de Pós-Graduação: R$ 80,00
Docentes, pesquisadores/as, profissionais: R$ 100,00

Inscrição

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Lançamento do Projeto Ilé-Èkó em Rio Grande/RS



Coordenador do Ẹgbẹ́ participará de Plenária em Brasília


O Coordenador Geral do  Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ayé, Prof. Bàbá Hendrix Adégbọ̀hun Ifáyọmi Silveira participará, nos próximos dias 04 e 05 de Julho em Brasilia, da Plenária Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, como etapa preparatória para a III CONAPIR - Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial - cujo objetivo, segundo Edna Santana de Moura da Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais, vinculada à SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, é aprofundar o processo de discussão sobre temas, cujas pautas e demandas são estratégicas para o enfrentamento ao racismo e para a efetivação de um Brasil Afirmativo.


A Plenária Nacional contará com 200 participantes de todo país cuja constituição será por delegação estadual. Pelo Rio Grande do Sul além de Bàbá Hendrix termos mais 9 delegados membros das seguintes instituições: FONSAMPOTMA, CEN, MONABANTU, RENAFRO, ACBANTU, CEDRAB, ESTAF e ASSOBECATY.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Elikia M'Bokolo fala sobre legados civilizatórios da África

Teólogo critica Prefeitura por empurrar terreiros para periferia

Jayro Pereira de Jesus pediu levantamento
censitário dos terreiros
O teólogo da Tradição Matriz Africana Jayro Pereira de Jesus criticou hoje (27/6) as administrações de Porto Alegre por sistematicamente empurrarem para a periferia da cidade os terreiros. "Porto Alegre, no conjunto das capitais brasileiras, é a que mais coloca para a periferia as casas de religião africana. Parece que há uma espécie de racismo e uma intolerância religiosa institucionalizada."

Para Jesus, a cidade não leva em conta o trabalho social e ação na saúde que os terreiros realizam no cotidiano, ajudando a desafogar o sistema tradicional de saúde. "Pesquisas científicas mostram a importância do trabalho dos terreiros neste sentido", assegurou.

O teólogo observou que a prova de que há intolerância religiosa em Porto Alegre está no Código de Posturas da cidade. "O código atual, comparado ao de 1893,  não tem nenhuma diferença." Na época, observou, os terreiros eram considerados espaços malditos. "E resquícios do racismo daquele passado continuam presentes ainda hoje."

Diante da situação, Jesus reivindicou à Prefeitura a realização de novo levantamento censitário dos terreiros existentes na Capital, com o respectivo georreferenciamento. Além disso, o teólogo defendeu que os terreiros sejam de fato reconhecidos como equipamentos que trabalham com a dignidade, a saúde e a vida. "É inadmissível que a prefeitura não reconheça os terreiros."

Texto: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)
Fonte: http://www.camarapoa.rs.gov.br/

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ENCONTRO DE INTELECTUAIS VIVENCIADORES (AS) DA RELIGIÃO AFROUMBANDISTA

 DE PORTO ALEGRE E REGIÃO METROPOLITANA




"É só por meio do envolvimento e do apoio aos outros que somos capazes de realizar uma individualidade verdadeira e nos erguer acima de nossa mera distintividade. "(Drucilla Cornell) 


Objetivos



 Reunir intelectuais vivenciadores (as) da Religião AfroUmbandista de Porto Alegre e Região Metropolitana para avaliar a conjuntura hodierna dos Cultos Afro-Gaúchos, bem como discutir a necessidade de posicionamento teórico de forma interdisciplinar das várias áreas do conhecimento dos adeptos (as) visando intervenções mais qualificada na sociedade abrangente. 



 Discorrer sobre o engajamento político e social dos (as) intelectuais vivenciadores (as) para desta forma contribuir para a alteração do racismo cultural religioso afro, bem como da intolerância religiosa que se abate contra as comunidades terreiras e seus adeptos.



 Dialogar acerca do papel das Comunidades terreiras e a relação das mesmas com a comunidade circundante e/ou do entorno, de forma a pensar estratégias políticas e pedagógicas que envolvam as populações locais nos seus segmentos etários e realização de ações sociais pertinentes. 


Data: 19 de março de 2011

Local: AFRICANAMENTE - Rua Protásio Alves, 68 – Rio Branco – Porto Alegre – RS. 

Horário: 08h00 às 14h00 

Informações e inscrições:
Rua Protásio Alves, 68 – Rio Branco
Fones (51) 3333- 9224 / 3354-7119 e/ou 9545-0231 
E-mail: teologiaafro@yahoo.com.br

Realização: 

EGBÉ ÒRUN ÀIYÉ /RS (Associação Afro-Brasileira de Estudos Teológicos e Filosóficos das Culturas Negras) 

ATRAI (Associação Nacional de Teólogos e Teólogas da Religião de Matriz Africana e Afro-Indígena) 

Apoio: 

AFRICANAMENTE 

COMUNIDADE TERREIRA ILÊ AXÉ YEMANJÁ OMI OLODO

Será fornecido certificado aos participantes

As Inscrições deverão ser feitas até o dia 10/03/2011 improrrogavelmente 





NGUZO, ÀSE 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ATENÇÃO!!!

Por motivos de força maior o III Seminário Estadual de Estudos das Religiões de Matriz Africana realizado pelo Egbé Òrun Àiyé/RS está CANCELADO até segunda ordem.
A OFICINA TEOLÓGICA DOS ORIXÁS acontecerá normalmente no sábado, dia 27/11, às 14h na Sede Municipal do PT (Av. João Pessoa, 785 - Centro - Porto Alegre) com o tema Orixá Oxalá.
Inscrições abertas e gratuitas.
Àṣẹ o


Bàbá Hendrix Ifáomi Silveira ti Òrúnmìlá
Dir. Pres. Egbé Òrun Àiyé/RS


sábado, 30 de outubro de 2010

III Seminário Estadual de Estudos das Religiões de Matriz Africana


APRESENTAÇÃO
O Egbé Òrun Àiyé/RS é uma associação formada em 2003 por vivenciadores da Religião de Matriz Africana do Rio Grande do Sul, sediada em Porto Alegre. É uma filial regional do Egbé Òrun Àiyé Nacional, que existe há mais de 15 anos, com sede em Curitiba, no Paraná, fundada pelo teólogo africanista e Omorixá Jayro Pereira de Jesus (Olorode Ogiyán Kalafor), Mestre em Teologia pelas Faculdades EST (São Leopoldo). Tem como objetivos refletir sobre os valores civilizatórios da cosmovisão africana e estudar pressupostos teológicos e filosóficos que estruturam e dão sentido à religião tradicional, proporcionando fundamentação para a fé dos religiosos afros, através do Projeto Oficina Teológica dos Orixás e dos Seminários que organiza, questões que versem sobre a religião afrodescendente no contexto geral da diversidade afro-religiosa do Brasil.
Seguindo o cronograma de ações, em cooperação com o Cpers, realizaremos o III Seminário Estadual de Estudos das Religiões de Matriz Africana, nesta edição com o tema “Africanidades”. As atividades estarão distribuídas ao longo de 12 horas constituindo-se em palestras, comunicações e atividades culturais artísticas.
 
Objetivos do Seminário: Fornecer embasamento teológico acerca da dinâmica ritualística do culto aos Orixás, contribuindo desta forma para que religiosos afros, militantes e interessados em geral adquiram fundamentação de cujos alicerces epistemológicos os constituam em defensores dos pressupostos e axiomas da visão de mundo africana mediante sustentação e argumentações teóricas inesgotáveis; Informar à população em geral interessada, em especial aos docentes do magistério em geral, os fundamentos teológicos e filosóficos que estruturam e dão sentido a Religião de Matriz Africana e Afro-Brasileira.


Data e Horário e Local: Dia 13 de novembro de 2010, das 9 às 21 horase 2010.
Sala 304/305 do Cpers – Av. Alberto Bins, 480 – Centro – Porto Alegre/RS

Público: Afro-religiosos (Batuque, Candomblé, Umbanda), estudantes, educadores, pesquisadores acadêmicos e público em geral.

PROGRAMAÇÃO:

9h – Acolhimento e inscrições
9h30min - Abertura
10 às 12h- COMUNICAÇÕES
12h- Intervalo para almoço
ATIVIDADE CULTURAL
13h30min – Toque aos Orixás
CICLO DE PALESTRAS
14h - Manifestações da fé nas religiões de matriz africana - Babalorixá Telmo de Yemanjá
14h30min - Debate
15h: Orixá Ori- Babalorixá Eduardo de Oxalá
15h30min - Debate
16h – "Deus" na visão Yorubá- Iyalorixá Fernanda de Oxum Docô
16h30min - Debate
VÍDEO DEBATE
17h – “A Tradição do Bará do Mercado”
18h - Debate
CONFERÊNCIA
18h30min – Escatologia nas Religiões de Matriz Africana- Prof. e Babalorixá Hendrix de Orunmila
19h30min – Debate
ATIVIDADE CULTURAL
20h – Grupo Musical "Grupo Afluentes"
ENCERRAMENTO
20h30min – Entrega dos certificados
21h- Encerramento

PROCEDIMENTO PARA INSCRIÇÕES:
Copiar e preencher a ficha de inscrição, salvar em formato de documento de texto(.doc) e enviar para o e-mail egbeorunaiye@yahoo.com.br junto com o comprovante escaneado do pagamento da taxa de inscrição (ou dados do depósito a serem confirmados) ou fazer pagamento e preenchimento no local no dia do evento.
Investimento: R$ 30,00 (trinta reais)
O Pagamento é mediante depósito em conta:
Caixa Federal: 0445 013 00064510-0
Banrisul: 0026 35.820338.0-5
Todos os participantes receberão certificado de 12 horas de participação no Seminário.
Informações: 51 33547119 – 51 93178662
 

FICHA DE INSCRIÇÃO
III Seminário Estadual de Estudos das Religiões de Matriz Africana – Africanidades
Data: 13 de novembro de 2010


NOME CIVIL:....................................................................... .............................................

NOME RELIGIOSO:............................................................ .............................................

INSTITUIÇÃO/ILÊ:.............................................................. .............................................

ATIVIDADE(Afro-religioso- Babalorixá, Omorixá, Cacique, etc- , estudante, educador, pesquisador acadêmico e público em geral) :.........................................................................................................................................

CIDADE:............................................................................. .............................................

TELEFONE FIXO:.............................................................. .............................................

TELEFONE CELULAR:....................................................... .............................................

EMAIL:................................................................................. .............................................

OUTROS CONTATOS (MSN, SKYPE, ETC):..................... .............................................

COMO FICOU SABENDO DO EVENTO?........................... .............................................

QUER INCLUIR SEU EMAIL PARA RECEBER INFORMAÇÕES DO EGBÉ/RS?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Considerações sobre as Eleições 2010

Lamentável! Mais uma vez não conseguimos eleger representante das religiões de Matriz Africana para o poder legislativo estadual. Especialmente com a vigência da Lei Estadual 13.085/08, a famosa “Lei do Silêncio”, que limita a emissão sonora especificamente em templos religiosos do Rio Grande do Sul e outras tantas leis criadas para coibirem nossa prática religiosa que já vieram... E certamente as que ainda virão.
Nossos candidatos a Deputado Estadual somaram juntos 17.146 votos, pouco mais da metade do mínimo necessário para eleger um Deputado Estadual, sendo 14.006 de Pedro de Oxum, 2.600 de Vera Soares e 540 de Tony. Enquanto os Evangélicos elegeram o Pastor Carlos Gomes com 59.144 votos à Assembléia Legislativa.

Flávio Luiz da Silva de Souza, representante dos afro-religiosos à Câmara Federal obteve 1.047 votos. Enquanto o evangélico Onyx Dornelles Lorenzoni foi eleito Deputado Federal com 84.696 votos.

Onde estão os religiosos de Matriz Africana?

Segundo a Pesquisa Socioeconômica e Cultural das Comunidades Tradicionais de Terreiro - Mapeando o Axé promovida pelo Ministério de Desenvolvimento Social, a região metropolitana de Porto Alegre tem mais de 3 mil terreiros. Se cada um desses terreiros contasse com 10 eleitores, seriam 30.000 votos apenas nessa região!

14.006 votos é um número expressivo a alguém que não tem história política e se candidata como Babalorixá, faz campanha com guia no pescoço e com o nome do Orixá no santinho. Infelizmente, ainda é insuficiente!

Até quando vamos ter que ficar tentando correr atrás do prejuízo após leis “anti-batuqueiras” serem publicadas? Até quando conseguiremos ainda praticar nossa liturgia com alguma liberdade? Ou será que vamos ter que nos esconder novamente para que não ouçam nossos tambores, sinetas, ou até mesmo o som que emitem nossos Orixás e entidades quando estão na terra?

Os números mostram que há uma GRITANTE falta de consciência política no país. Só no Rio Grande do Sul foram 487.153 votos em branco e 191.199 votos nulos para a Assembléia Legislativa. São 678.352 eleitores que decidiram não votar para Deputado Estadual!

No meio de inúmeros artistas e jogadores de futebol que se candidataram este ano, corruptos assumidos se reelegendo, e tantas outras “novidades”, o que mais me impressiona é a eleição do palhaço Tiririca, com o maior número de votos entre os candidatos a Deputado Federal no Brasil. Alguém em sã consciência consegue imaginar o Tiririca no Congresso Nacional? 1.353.820 paulistas votaram para que vejamos essa cena a partir de 2011! Isso se ele conseguir PROVAR nos próximos dias que não é analfabeto!!! Com o lema “Vote no Tiririca, pior do que está não fica”, o palhaço já fez história!

Espero realmente que Tiririca esteja certo no ponto “pior que está não fica”, porque vendo esse cenário político atual, ........!?!?!?!?!?!?!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

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